sábado, 15 de maio de 2010

Misteriosa

Ela me machucou
talvez mais que qualquer outra
ela merece algo de mim?
ela merece um poema?
talvez mais que qualquer outra.

Ela foi genial.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cinemando

Cinema é um trabalho
engordante e burocrático.
Alienante e sorumbático,
enfraquecedor e insignificante.
Cafeinítico e cocainático,
lunático,
insíptico.
Fotográfico, montático,
mágico, artístico e decupante.
Roteiristico e producionático,
problemático e solucionante.
Cinematográfico que só ele,
meio complicático,
mas simplístico amante.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Saúde Afetada (e eu só penso nisso)

Segredo rima com medo,
eu mesmo já rimei
umas duas ou três vezes.
Amor rima com dor
ou o tal calor
que aquece a alma,
palavra que rima com calma
e por ai vai.
Profundo.
Tudo muito bonito,
mas no momento
preciso de uma rima pra diarréia...
(que não seja gonorréia)
.
.
geléia?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Hypnofobia

Quando escurece
parece
que eu fico cego
não nego
meu medo
minha falta de apego
pelo mistério
não é segredo
é sério.

Eu não posso dormir
Eu não posso dormir
A morte pode me alcançar
antes da hora de acordar

Eu não posso dormir
Eu não posso dormir
Os sonhos podem me levar
pra nunca mais voltar
Eu não posso dormir



Uma musiquinha que fiz a um bom tempo atrás... nunca consegui fazer um segundo verso, então posto assim mesmo, antes que eu me perca uhahuahu xP

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Além das minhas possibilidades

O não conseguir
é deprimente,
me faz sentir
com o corpo imundo,
a alma inerte,
as mãos atadas.
Me faz sentir o medo,
as patadas
do cachorro atrás da porta,
o segredo.
O que tem do outro lado?
Não sei,
não alcanço a maçaneta.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Quem pode julgar os homens que fazem arte?

Aquele poeta que faz barulho
e que do estardalhaço tira sua arte
Aquele que não sabe nem um terço
da metade da sétima parte.
Ele dorme no meu berço.

Aquele poeta que escreve aos montes,
mas suas palavras são vazias,
que trata os versos como putas,
que tem emoções de vadia.
Ele prova das minhas frutas.

Aquele que escreve em vão
e é aplaudido com afinco
sorri amarelo para a multidão
massageia o ego dos ricos
Ele come do meu pão.

Aquele poeta que usa seda
sapato fino, calças novas
Coroa, bracelete, brinco,
Canta como quem carimba as trovas.
Ele brinca no meu circo.

Maldita pós-modernidade
que abre espaço pra picaretas
sem rima, sem métrica
sem graça,
como ele e como eu
Maldita inveja
do homem que me venceu.

sábado, 7 de novembro de 2009

Filme Bom

no volante do carro eu vejo
passar pela minha frente
um céu colorido
no photoshop,
frame a frame
frame a frame.

E meu travelling querendo
virar movimento de grua
enxergar la do alto
gravar em película
linda, virgem, nua,
pra você ver.

E eu paro meu carro
errado na vaga
e um detalhe na roda
passando na poça
depois o meu pé pisando forte,
firmeza pra te encontrar.

E eu te vejo na frente da porta
a luz te recorta
à esquerda um jovem com um isopor
servindo de rebatedor,
pra você ficar mais linda.

é linda sim,
fade out,
fade in.
Nós dois num quarto,
câmera no teto.
Sua boca na minha,
zoom in,
zoom out,

pela janela um passarinho,
e no plano sequência
a gente segue o bicho
e chega no céu de photoshop,
a subjetiva me leva
a subjetiva nos leva
e leva a todos os espectadores.

O rasante do pássaro
me prende na cadeira.
Detalhe da minha mão na sua.
a pipoca cai.
Corte seco, nós dois num quarto.
Meus pés nos seus pés.

Fade out. Acaba ai.
Antes do fim, o fim.
sempre feliz
no cinema é assim.